Lideranças apresentam os problemas da ocupação Campos Verdes, Vila Dona Teodora e Tio Zeca e Areia

As lideranças das comunidades do Quarto Distrito, Dona Marilene Batista, Ronaldo Ezequiel, Ezequiel Morais da Ocupação 20 de novembro, José Pedro da Comunidade da Beira do Rio, percorreram as ruas da vila Dona Teodora, Ocupação Campos Verdes e Vila Tio Zeca e Areia para mostrar as precárias condições de moradia, saneamento básico e serviços públicos a deputada estadual Sofia Cavedon e ao vereador Marcelo Sgarbossa, na quarta-feira (28/10).

O líder comunitário Ronaldo Ezequiel, da ocupação Campos Verdes, levou Sofia Cavedon, da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa (AL-RS), na escola Lions Clube, para conversar com as educadoras de plantão e pegar as atividades remotas para sua vizinha. Depois levou a comitiva para a Ocupação, onde entregaram as tarefas pedagógicas à mãe e apresentou a região. 

A ocupação Campos Verdes começou em 2013, e sofre com os constantes alagamentos, fruto da falta de drenagem e saneamento básico. As casas, quase todas de madeiras e com material reciclado, são construídas em cima de aterros irregulares, que sobre com as constantes proliferação de ratos, baratas e outros animais que põem em risco a saúde da comunidade. 

Dona Marilene, que mora na vila Dona Teodora desde 1996, mostrou um trecho alagado por esgoto, por conta da rede de bueiros que estão entupidos. Os moradores relataram que várias vezes já acordaram no meio da madrugada com suas casa invadidas pelo esgoto, e que o perigo só aumenta quando chove. “Faz uns quatro anos que isso acontece aqui, e já pedimos que ao DMAE que resolva e nunca acontece nada”, denúncia dona Marilene. 

Enquanto fazia a visita, a comitiva presenciou uma das crianças da vila cair no trecho alagado, ao tentar sair de casa por uma caminho de pedra improvisada. “A falta de manutenção da rede de esgoto pela prefeitura de Porto Alegre é um descaso, um abandono”, frisou Sofia Cavedon.

 Ao término da visita a vila Dona Teodora, as adolescentes relataram que sofreram agressões da Brigada Militar na noite anterior. Que a brigada chegou agredindo os jovens da região, e inclusive jogando água na cara das crianças.

O último local visitado foi a vila Tio Zeca e Areia, comunidade com cerca de 700 famílias que são impactada diretamente com a construção da nova ponte do Guaíba, que está prestes a ser inaugurada em novembro. 

Impedidos de fazer qualquer tipo de manutenção em suas casas, as famílias convivem com o esgoto escorrendo a céu aberto. Não existe iluminação pública, e as ligações elétricas são irregulares. “Eu moro aqui há nove anos e já vi uns quatro incêndios forte na vila”, relatou Ana Paula, moradora da comunidade e que vive num pequeno  casebre de madeira.

A comitiva que realizou a primeira visita às comunidades do Quarto Distrito reconheceu a precária prestação de serviços públicos por parte da prefeitura. A falta de saneamento básico, disponibilização de água encanada, drenagem e limpeza dos bueiros, iluminação pública adequada, caracteriza um verdadeiro descaso e abandono dos poderes públicos. 

s órgãos como FASC, DMAE, DMLU, Imesf e DEMHAB, responsáveis pelos serviços públicos, contam hoje com 3.622 servidores para atender as comunidades, isso representa apenas 29,18% do total de trabalhadores que a prefeitura deveria ter para prestar um serviço adequado aos moradores.

Essa defasagem de quase nove mil servidores só aumentou com o afastamento do grupo de risco desses órgãos, os que continuam atuando na linha de frente tem que se revezar para atender as comunidades.

As medidas restritivas de combate à pandemia expuseram mais ainda a vida dessas famílias. Com a contaminação do esgoto por Covid-19, que invade as casas e alaga as ruas, coloca em risco a saúde de todos os moradores, principalmente do grupo de risco. Casas com poucos cômodos e muitas vezes sem nenhum acesso a água potável, potencializa a contaminação pela doença.

A precária distribuição de alimentação, falta de água e saneamento básico, viola direitos fundamentais e direitos humanos, e que agravou a vulnerabilidade social e aumentou a tragédia social em curso. Frente a este quadro, a sociedade civil organizada e os movimentos populares, têm exigido ações urgentes do Estado Brasileiro, para enfrentamento ao caos e à tragédia social em curso.